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Um Corpo Que Cai Aos Olhos De Charles Peirce

Essay by   •  September 12, 2016  •  Research Paper  •  3,094 Words (13 Pages)  •  493 Views

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Um Corpo que Cai aos olhos de Charles Peirce[1]

Marcelo Fazolato ASTY[2]

Francisco José Paoliello PIMENTA[3]

Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG

RESUMO

Este artigo tem como principal objetivo visualizar o papel de determinadas cores na construção de uma das obras-primas de Alfred Hitchcock, Um Corpo que Cai. Para realizar este estudo, autores como Frank Mahnke e Andrew Elliot, especialistas nas relações humanas com cores, serão somados à semiótica de Peirce, através de Lúcia Santaella. Serão estudadas as funções das cores vermelho, verde, azul e amarelo no filme, através de uma análise de como essas cores são disponibilizadas em momentos-chave da produção. O conceito semiótico de signo, assim como de ícone, índice e símbolo serão importantes para o estudo, que será feito tendo como mente interpretadora dos processos comunicacionais analisados o próprio autor. Através deste artigo, é possível que se obtenha um maior entendimento do filme de Alfred Hitchcock.

PALAVRAS-CHAVE: semiótica; Um Corpo que Cai; cores.

1 INTRODUÇÃO

O filme Um Corpo que Cai (Vertigo), dirigido por Alfred Hitchcock, é famoso por sua trama de suspense e mistério, e pelo estilo de seu diretor. É classificado em um dos maiores sites especializados em cinema como o 65º melhor filme de todos os tempos (IMDB, 2014) e possuí uma média de 98 pontos em 100 em um site de aglomerados de críticas (ROTTEN TOMATOES, 2014). Através desses dados, não há dúvidas de sua relevância e sucesso entre o público. Neste artigo, pretende-se analisar as cores do filme como um dos fatores responsáveis por esse sucesso. Para a análise, serão usados conceitos da semiótica peirceana, com auxílio de Lúcia Santaella, e autores que permitam o entendimento da relação entre as cores e as próprias funções biológicas humanas, como Frank H. Mahnke e Andrew J. Elliot.

2 UM CORPO QUE CAI

        Marca do gênero suspense e de toda filmografia de Hitchcock, tido como uma de suas obras-primas, Um Corpo que Cai conta a história de um policial que, em uma perseguição em telhados, perde um colega e quase sofre um acidente, adquirindo, então, fobia de alturas. Em seguida, passamos a acompanhar o arco dramático de John Ferguson (James Stewart) enquanto convive com esse medo e se relaciona com outras pessoas, até começar a trabalhar como guarda-costas de Madeleine Elster, interpretada por Kim Novak. A partir desse fato, o personagem vai modificando seu comportamento e seu emocional, o que se repete até o fim do filme. Este artigo tem como objetivo analisar como essas mudanças de comportamento são ilustradas pelas cores, tanto em cenários quanto em roupas dos personagens. As cores vermelho, azul, verde e amarelo serão analisadas nas cenas, ou seja, nos processos comunicacionais, para que seja possível entender quais objetos elas, como signos, representam. Primeiramente, é importante definir os conceitos que serão aqui utilizados para uma melhor compreensão destes e, assim, da hipótese deste trabalho, que é de que essas cores representam características, sentimentos ou sensações experimentadas pelos personagens.

3 AS CORES E AS RELAÇÕES QUE CRIAM        

        No cinema contemporâneo e nas artes visuais em geral, as cores são quase sempre imprescindíveis. Seja de forma consciente ou não, os autores das artes passam mensagens ao inserir determinadas cores em seu trabalho. Mesmo quando há ausência delas, como em filmes em preto e branco, uma mensagem é passada ao público. Não seria diferente em Um Corpo que Cai, filme no qual Alfred Hitchcock utilizou um grande número de cores que lhe auxiliaram em sua narrativa e no entendimento completo da trama criada. É importante ressaltar que, na época da produção do filme, ou seja, 1958, o processo de criação de cores mais utilizado no cinema era o Techinicolor, que, com ajuda de prismas que se posicionavam atrás das lentes das câmeras, convertia a luz branca em seu espectro colorido. Esse processo saturava as cores, fazendo com que ficassem muito mais vivas. Hitchcock usou esse recurso com maestria, utilizando essa saturação como linguagem.        
        Mas, primeiramente, torna-se necessário compreender como nos relacionamos com as cores perceptíveis nos processos comunicacionais que serão analisados no decorrer deste trabalho. Mahnke, em seu trabalho
“Color, Environment & Human Response”, analisa essas relações e as situa em uma pirâmide, chamada por ele de Pirâmide das Experiências com Cores. De acordo com o Mahnke, essa pirâmide é composta de 6 tipos de relações que evoluem. Da base até o topo: 1) reações biológicas à estímulos causados por cores; 2) subconsciente coletivo; 3) simbolismo consciente, feito por meio de associações; 4) influências culturais e maneirismos; 5) influências de tendências, modas e estilos; 6) relações pessoais. (MAHNKE, 1996). O primeiro nível está além do nosso controle, uma vez que está no reino fisiológico que permanece fora do alcance de nós, como indivíduos, que pensam e sentem sobre um determinado tom, ou um grupo de cores. Está ligado à como nosso corpo reage de forma primária à determinada cor. Já o segundo nível está relacionado à nossa raça ou nosso grupo, e como esse grupo reage à determinada cor, não tendo ligação com percepções conscientes nem com o repertório que obtemos durante a vida. O terceiro nível das relações diz respeito à associações que fazemos através de nossas experiências. Por exemplo, relacionar um determinado tom de azul à cor do céu. Esse nível guarda semelhanças com a definição de símbolo, que veremos mais a frente. No quarto nível, associações e simbolismos determinados por uma cultura agem na percepção das cores. Por exemplo, certo tom de amarelo pode lembrar aos brasileiros a cor da bandeira do Brasil. Já a quinta camada se refere à associações às cores do Zeitgeist que, de acordo com Mahnke, seria o espírito de uma época. Tal espírito requere mudanças nas cores chamadas da moda. Então, nesse estágio da percepção, reconhece-se uma cor como parte de algo maior, por exemplo, uma tendência de determinado tempo. O último nível está ligado à como nosso repertório, ou seja, nossas experiências anteriores com a cor e também toda a pirâmide. No último nível, gostamos ou não da cor de acordo com as relações que foram criadas nas camadas inferiores.        
        As relações estudadas por Mahnke são nossas formas de interpretar as cores. Dependendo das cores e também do repertório de quem as interpretará, essas relações podem apresentar variações. Porém, essas relações com outras cores, como o vermelho, tendem a variar menos. De acordo com Mahnke, tal fato se deve à fatores biológicos, ou seja, ao primeiro nível da pirâmide. O vermelho, por exemplo, tende a indicar naturalmente perigo ou paixão. Quem percebe a cor não participa desse processo, seu corpo produz um determinado estímulo baseando-se no padrão que percebe, no caso, da cor.

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